Livro inédito revela documentos da censura militar aos Doces Bárbaros
O pesquisador Luiz Abrahão lança "Mistério Sempre Há de Pintar Por Aí, Uma História dos Doces Bárbaros", o primeiro livro dedicado ao supergrupo formado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa e Maria Bethânia. A obra reúne documentos inéditos da ditadura militar que detalham a perseguição ao quarteto pós-tropicalista.
A pré-venda abre em 24 de junho pela editora Garota FM Books, no ano em que o encontro completa 50 anos. Reunidos em 1976, os quatro baianos transformaram a amizade em disco e turnê que percorreu o país, registrados no álbum e no projeto que levaram às plateias da época.
O principal diferencial do livro está na revelação de papéis secretos do regime militar nunca publicados. Os documentos mostram que a censura foi além da já conhecida proibição da faixa "Como São Lindos os Chineses". Outras letras precisaram passar por modificações para serem liberadas.
Clássicos do repertório do grupo, como "Os Mais Doces Bárbaros", "Nós, Por Exemplo", "O Seu Amor" e "Um Índio", foram classificados como inadequados pelos censores. O material reconstrói essa trajetória a partir de arquivos que ajudam a dimensionar o impacto cultural e político do projeto.
A publicação chega em um momento de revisão da obra dos quatro artistas, que seguem entre os nomes centrais da música brasileira, e oferece ao leitor uma leitura documental de um dos capítulos mais simbólicos da MPB.